sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Deuses de janeiro


Calendário dos Deuses de Janeiro - por Helena Gerenstad
Enviado por Liz

JANEIRO

Janeiro é o mês em que devemos estar cientes de nossa missão evolutiva neste mundo, não só como seres individuais, mas como espécie. Faça tudo para crescer espiritualmente, tornar-se realmente uma pessoa melhor e o mundo também o fará, pois tudo faz parte de um plano perfeito em que uma coisa, por mais insignificante que pareça, interfere nas outras. Use esse mês para aumentar essa chama de caridade e amor, mas é sua obrigação mantê-la acesa a vida toda!

DIA 01 DE JANEIRO - DIA EXEMPLAR

O ano começa hoje. A maioria das pessoas está de ressaca porque comemorou demais na noite anterior, mas tudo que você fizer hoje agirá como se tivesse fermento no resto do ano. Por isso, procure fazer algo que gosta, ficar com quem realmente ama, pois é um dia especial. Cada minuto deve ser aproveitado. Divirta-se, leia, descanse, ame, sinta cada momento do dia de hoje, mentalizando o que deseja atrair para sua vida no ano que se inicia. Acenda uma vela branca e ofereça uma fatia de bolo branco com vinho às entidades que acompanham e iluminam você em agradecimento pelo ótimo ano que você sabe que terá.

DIA 02 DE JANEIRO - ANIVERSÁRIO DE INANNA

Essa tradição suméria lembra-nos da Inanna, deusa mãe do vinho e dos grãos. Um bom ritual para este dia é acender um incenso e uma vela diante de um pratinho com grãos e uma taça de vinho. Depois que a vela se apagar, enterre os grãos, que representam o passado, e beba o vinho, trazendo para dentro de você novas energias vitalizantes.

DIA 05 DE JANEIRO - ANIVERSÁRIO DE TSAI SHEN

Na mitologia chinesa, é o deus da saúde. Bom dia para pedir saúde e disposição para a luta do dia-a-dia.

DIA 07 DE JANEIRO

Todo dia 7 é mágico e segunda-feira é o dia da Lua, bom para rituais de paz e meditação. Acenda sete incensos e sete velas e mentalize seus desejos mais profundos. Preste atenção nos sonhos nesta noite.

DIA 08 DE JANEIRO - DIA DE JUSTITIA

Deusa romana da Justiça, é representada pela constelação de Virgem. Acenda um incenso de lavanda neste dia e peça que Justiçia esteja ao seu lado em questões de justiça.

DIA 10 DE JANEIRO - DIA DO BARDO GERAINT

Conhecido como o Bardo Azul, Geraint era um bardo galês do século IX. Acredita-se que seu espírito ajuda todos os que trazem em seu coração o amor verdadeiro. Hoje, faça um pedido de amor em um papel azul. Mas tem que ser em forma de poesia.

DIA 13 DE JANEIRO - O CORAÇÃO DO MÊS

É como é conhecido todo dia 13. Nesse dia, o que você fizer voltará multiplicado para você no restante do mês. Ame muito nesse dia, esteja propenso a demonstrações de carinho e amor!

DIA 15 DE JANEIRO - FESTIVAL DE CARMENTÁLIA

Este festival romano em honra da Ninfa das Profecias, Camanae, diz que os oráculos hoje não podem mentir. Consulte seus oráculos e realize suas mancias hoje!

DIA 17 DE JANEIRO - DIA DE FELICITAS

Felicitas é a deusa romana da boa sorte e da fortuna. Para atrair seus favores e simpatia para dentro de seu lar, acenda uma vela azul próxima a janela.

DIA 19 DE JANEIRO - FESTIVAL DE THOR

O deus dos raios e trovões da mitologia germânica, Thor, era também filho de Odin. Invoque-os hoje e ele concederá força e coragem para realizar as mais difíceis tarefas.

DIA 20 DE JANEIRO - DIA DE BABA YAGA

Esta deusa búlgara é a deusa da morte e renovação. Muitas vezes precisamos deixar algo partir para um novo renascer. Acenda uma vela escura e invoque Baba Yaga. Peça-lhe que as coisas ruins embora e abra caminhos para as coisas novas e boas em sua vida.

DIA 22 DE JANEIRO - DIA CONSAGRADO A APOLO

Apolo é também conhecido como deus do Sol, influenciando na poesia e nas artes. Neste dia, espalhe folhas de louro na entrada de sua casa para atair as dádivas deste deus grego.

DIA 24 DE JANEIRO - FESTIVAL DAS VELAS

É uma antiga cerimônia da purificação através das deusas do fogo. Acenda uma vela laranja e concentre-se na chama. Peça às deusas do fogo que queimem seus males, sejam físicos, sejam espirituais.

DIA 26 DE JANEIRO - DIA DOS DEUSES LARES

São os espíritos guardiães da tradição romana que protegem nossas casas e seus nomes originam a palavra "lar". Escolha um cantinho da sua casa para ser a morada dos deuses Lares e acenda uma vela verde e um incenso de ervas, agradecendo a eles pela proteção e alegria que proporcionam.

DIA 27 DE JANEIRO - PAGANÁLIA, DIA DA MÃE TERRA

Pela tradição romana, é um dia consagrado à Mãe Terra. Neste dia, decore três árvores com fitas amarelas. Os espíritos da natureza serão atraídos pela sua gentileza e trarão prosperidade e boa sorte.

DIA 30 DE JANEIRO - FESTIVAL DA PAZ

Na tradição romana é o dia da deusa Pax Augusta, deusa da paz. Hoje, acenda uma vela branca e reze pela paz na vida e no mundo. Vamos todos fazer isso e atrair o manto da paz para o planeta, que está precisando.

O Poder dos Nomes por Alice Gress

Ao reler o livro "Mulheres que correm com os lobos" indicado pela Silvia, verifiquei que o marcador de livro, com o meu nome ( Alice ), estava na página 156 que tem o seguinte capítulo: O poder do nome. Últimamente ando perguntando muito qual o nome das pessoas que me cercam e o seu significado, e achei bem interessante esse site:
www.significado.origem.nom.br/nomes.htm

Espero que o nome de vcs tenha um significado que traga alguma resposta as suas vidas. Alguns paranormais também sentem gosto e veêm cores quando falamos certas palavras, certos nomes...
Tive um sonho muito estranho o bonito hoje onde as pessoas estavam em uma roda e falavam seus nomes uma a uma. Entoavam somente as vogais num mantra lindo...Quando acordei e entoei o meu tive uma linda surpresa! Façam o de vcs e experimentem também...Boa Sorte!!!

"Dar o nome a
UMAFORÇA, UMA CRIATURA, UMA PESSOA OU A UM OBJETO
tem algumas conotações. Nas culturas em que os nomes
são escolhidos com cuidado pelo seu significado mágico,
saber o verdadeiro nome de uma pessoa representa conhecer
a trajetório da vida e os atributos da alma daquela pessoa.
E o motivo pelo qual o nome verdadeiro é
muitas vezes mantido em segredo
está na proteção do seu dono, para que ele ou ela possa
crescer e cumprir o potencial do nome,
e na proteção do próprio nome de modo que ninguém
o avilte ou prejudique e,
assim, para que a autoridade espiritual de cada um
possa se desenvolver até suas proporções plenas!"
(Clarissa Pinkola Estés)

Bjs de "nomes",
de Alice,
Mulher Dançando com Sonhos do Clã do Lobo...
auuuuu...

Women on the edge of evolution




Dear friends,

I'm thrilled to announce that Claire Zammit and Katherine Woodward Thomas, who are pioneers in women's evolution, have invited me to speak in a groundbreaking FREE teleseries http://womenontheedgeofevolution.com called Women on the Edge of Evolution: Awakening to the Power to Co-create our Lives and Shape our Collective Future. http://womenontheedgeofevolution.com.

Together with a global community of over 35,000 women, we'll create a space to engage the biggest questions facing women who are wanting to unleash their co-creative power and participate in creating a brighter future for us all.

Join me and over 20 of the world's leading female luminaries, artists and agents of change including Barbara Marx Hubbard, Jean Houston, Marianne Williamson, Joan Borysenko, Alanis Morissette, Vicki Robin, Rickie Byars Beckwith, Melissa Etheridege, Mary Morrissey and others for this unprecedented conversation.

This is a totally FREE event. There is no charge to participate.
All of the women leaders have generously volunteered their time and their wisdom so that as many of us as possible can come together to awaken our power to shape the future.

You can participate live or listen to the recordings later, at any time, from anywhere in the world.

Register today http://womenontheedgeofevolution.com. Together we'll address some of the most important questions facing us today, such as:
What is the significance of our role as women in shaping the future of our world?
How do we awaken our authentic feminine power and strength?
What might the future of our liberation as women look like?
How can we lead in ways that express our authentic feminine values?
How can we unleash the fullness of our creativity and our voice?
What's the relationship between our own inner transformation and our power to change the world?
How do we best care for ourselves and our families while making a big contribution to the world?
Where should we give our energy and attention in order to have the greatest impact?
How can we best work together and support each other fully in this process?
Register today http://womenontheedgeofevolution.com. Each Wenesday and Saturday, you'll have an opportunity to listen in as well as interact with visionary women leaders committed to helping midwife the future of our world, gaining insights, and learning practices and tools that you can begin to apply in your own life and community.

I'll be speaking this Wednesday, January 13th at 5:30 p.m. Pacific time for my free teleclass as a part of the series on the topic of "Urgent Message from Mother". The call will be recorded and you can listen any time.

Click Here to Register now and register for this groundbreaking FREE event.

To our evolution,

Jean

P.S. because we want to reach as many women as possible for this historic event, please forward this invitation to all the important women in your life!


jeanbolen.com

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Kaká Werá - parte 1 - A verdadeira origem




O MUNDO MATERIAL
É UMA SOMBRA
DA VERDADEIRA REALIDADE

“Em todos os lugares, nas diversas tradições, dentro dos seus costumes, um dos fundamentos de garantia de qualidade vida é de alguma maneira relembrar, todos os dias, a verdadeira realidade, a verdadeira Origem.”


KAKÁ WERÁ JECUPÉ

Kaká Werá Jecupé é índio de origem tapuia, autor dos livros: Tupã Tenondé, A terra dos mil povos - História indígena do Brasil contada por um índio e As fabulosas fábulas de Iauaretê (pela Editora Peirópolis) e Ore Awé – Todas as vezes que dissemos adeus (pela Editora Triom). Ambientalista, conferencista é fundador do Instituto Arapoty, organização voltada para a difusão dos valores sagrados e éticos da cultura indígena.
Tem como missão ajudar na construção e no desenvolvimento de uma cultura de paz pela promoção do respeito à diversidade cultural e ecológica. Já viajou e palestrou em diversos países, entre eles: Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Índia, Escócia, México e França, sempre procurando levar mensagens da sabedoria dos povos ancestrais do Brasil.
Neste bate-papo, Kaká fala sobre ecologia interior, como se iniciou no caminho do curador, e enfatiza a importância da re-conexão com a natureza e a verdadeira origem. Que suas palavras sejam formosas em seu coração amigo-leitor e que incentive a leitura do livro sagrado da natureza.

SAMUEL SOUZA DE PAULA

Espiritualidade Natural - Em nosso convívio cotidiano, dos chamados “tempos modernos”, observamos que boa parte da humanidade sobrevive numa intensa busca desenfreada pelo “ter”, “possuir”, “adquirir”. Talvez, seja esta uma das causas que tenha colaborado com a ocorrência da perda de conexão com o Sagrado, do viver o tempo interno e com os valores ligados à natureza. Neste sentido o que o levou a se dedicar à cura e qual a importância que atribui as cerimônias no círculo de cura indígena?
Kaká Werá – Bom, na verdade, o ser humano como um todo se habituou e de certa forma é natural que seja desta maneira: considerar o mundo material como a única realidade plausível. E isto faz com que ele adormeça, ou esqueça, essa noção. E dentro desta noção existe um princípio muito profundo. De que na verdade o mundo material é só um reflexo do mundo verdadeiro e o mundo verdadeiro não é visível aos olhos. O ser humano esqueceu disto. Em todos os lugares, nas diversas tradições, dentro dos seus costumes, na diversidade cultural, um dos fundamentos de garantia da qualidade de vida é de alguma maneira relembrar todos os dias a verdadeira realidade, a verdadeira origem. E a origem é interior, não é palpável. A realidade material é feita de um princpio que é a matéria. Embora as culturas indígenas não façam diferença entre o Sagrado e o não-sagrado – não que o mundo material não seja tão sagrado quanto o espiritual, o fato de haver na sequência do desenvolvimento da sociedade humana uma série de desequilíbrios por conta de toda uma vida voltada para a matéria, para o mundo exterior e para o ter, é uma das razões que gerou desequilíbrios mais íntimos, mais profundos.

Uma perda de conexão com o mundo interior e o mundo verdadeiro...
Sim, nesse sentido, além do mundo interior ser um ponto de conexão com uma verdade maior, ele também acaba sendo um caminho de cura. Porque quando você resgata a origem, quando resgata o lugar de onde flui a vida, quando resgata a fonte que é interna e imaterial, consequentemente você resgata o princípio de equilíbrio, de harmonia. Na verdade, nem o meu trabalho pessoal, nem o trabalho de qualquer cidadão indígena tem como base a cura no sentido como uma doença, mas tem como base a eterna necessidade de re-consagrar na Fonte, enquanto você vive no mundo material. Para você ter uma idéia, o povo guarani, por exemplo, considera a realidade somente à sombra do mundo verdadeiro. A vida material somente o desdobramento de um sonho.

Como você se iniciou no caminho do curador?
Pelo fato de eu ter nascido, sido criado e ter vivido fora de uma aldeia, absorvi na primeira etapa da minha vida todos os condicionamentos, e de certa forma, os costumes, os hábitos de um mundo, vamos chamar assim de um mundo doente, um mundo distante do sagrado, isto fez de mim uma pessoa também, de certa forma, adoecida. Quando comecei a trabalhar com a comunidade indígena, conviver, interagir e reconectar com parentes próximos que estavam distantes. Mesmo sendo em momentos de lutas e batalhas por diversas questões, coisas de manutenção de território. Eu reparei que a comunidade vivia de maneira muito mais saudável espiritualmente do que os não-índios. E como a sociedade não-indígena normalmente vê os povos indígenas deficientes social, politica e tecnologicamente, não se dão conta de que estes povos são profundamente saudáveis. A minha história de cura começa na minha auto-cura pela convivência com diversas culturas, diversas pessoas que nem dá para precisar este ou aquele. E eu fui me tornando uma pessoa melhor pela assimilação de determinadas verdades bem simples, mas profundas. Uma delas, aquela que me disse que: “o mundo material é somente uma sombra da verdadeira realidade”.

Kaká Werá - Parte 2 - Cura

Pela convivência incentivadora da aprendizagem, da busca do auto-conhecimento?
Pelo meu desenvolvimento, pela minha curiosidade, pela minha vontade de aprender. Eu transformei esta cura num caminho mais profundo, num caminho de auto-conhecimento. E este caminho de auto-conhecimento foi feito pela via da cultura indígena, mais especificamente pela via da filosofia guarani e tapuia, que são as minhas duas convivências maiores. Tapuia por ser a origem da minha família, dos meus pais, meus avôs. E a tupi-guarani pela convivência.

Certa vez você me contou da admiração por Orlando Villas Boas...
Tive a oportunidade de estar com ele, de passagem em uma das palestras nas escolas para educadores, no Sesc, no início dos anos 90. A partir daí, a gente teve uma conversa muito longa, ele adorava falar e transmitir, na época que o conheci, ele já tinha uma experiência de mais de 50 anos com povos indígenas e dominava seis dialetos. Então, eu o considerava um verdadeiro ancião. Eu tinha muito o que aprender e aproveitei a oportunidade.

Como podemos dimensionar os tipos de cura?
Eu acho que a gente tem que dimensionar algumas noções de cura. Tem um tipo de cura que é a cura de uma doença física, que tem os seus especialistas. Tem aquela dimensão da cura que é da cura da alma, da cura do ser, que inevitavelmente vai refletir também numa cura da expressão física desse ser. Os povos indígenas com a sabedoria indígena, embora com muitos conhecimentos de remédios que curam dores e cortes físicos, se dedica com grande notoriedade à cura da alma, à cura espiritual.

Existem diversos métodos, indígenas e não-indígenas, que são utilizados com a finalidade de alcançar um equilíbrio, uma saúde integral, harmonia e paz de espírito.
De alguma maneira na sociedade não-indígena, este é trabalho dedicado à psicologia, de uma maneira bem diferente das dos povos indígenas. Para os povos indígenas a base, o fundamento, da cura da alma é o ser humano estar em harmonia com a natureza. E ai é o mérito da cultura indígena é que essa medicina de alma é extremamente ecológica. Porque a tradição indígena vai dizer que a alma se renova através da natureza e de suas energias. Diversas tradições desenvolveram diversos métodos, diversos sistemas, para reaproximar a alma humana das forças primordiais da natureza. Água, terra, trilha, folhas e a energia do próprio sol, da lua que cura.

A reaproximação com a Mãe Terra, a natureza tão importante para o reconhecimento da natureza interior.
Sim, todos os métodos foram desenvolvidos para realizar este trabalho, que a princípio é bem primordial, bem simples. A lógica alma sadia é igual a natureza em harmonia e natureza em harmonia é alma sadia. Existe uma crença nas tradições de que a alma humana descende direto da natureza. Embora, o corpo físico e a ciência não-indigena tenha chegado numa grande complexidade de conhecimentos, da genética, da anatomia física, os povos indígenas vão dizer que além dessa influência, informação e constituição, a sua alma tem a co-origem na própria Mãe Terra. É a mesma tessitura, a mesma energia.

O que é Tupã Tenondé e suas palavras formosas?
Tupã é o equivalente a Deus. Tenondé é O Primeiro. Tupã Tenondé é uma compilação, esses registros eram totalmente orais até o século XX. São cânticos que falam de toda cosmovisão guarani dos últimos milênios, que foram passados oralmente de geração à geração, não podemos dizer desde quando, é imemorial. Estes cânticos geraram, talvez, o primeiro livro sagrado neste lado da América do Sul nas últimas centenas de anos, pelo fato de que a tradição indígena é uma tradição mais oral. Tupã Tenondé foi um livro escrito com autorização de um grande sábio guarani, chamado Pablo Werá, do povo guarani do Paraguai, porque ele sonhou que tinha que deixar registrado em livro ensinamentos que são passados de geração em geração por via oral, através de cânticos que são feitos todos os dias nas aldeias guaranis e isto provocou uma polêmica muito grande na época: de um lado pela própria comunidade que defendia que tais ensinamentos não deveriam ser escritos e, de outro lado, provocou uma surpresa muito grande, na cultura não-indígena, porque eles foram redigidos pela primeira vez por um paraguaio de nome Leon Gadogan, que recebeu a autorização de taquigrafar os cânticos enquanto o pajé cantava. E depois o pajé autorizou a escritura destes cânticos. A primeira versão foi traduzida como Ayvu Rapyta Os Fundamentos do Ser.

Kaká Werá - parte 3 - silêncio

Qual a importância da palavra e do silêncio para os tupi-guaranis?
O ser humano é uma palavra habitada. Na visão da tradição tupi-guarani, através de Tupã Tenondé, nós seres humanos somos um som. Somos uma vibração, um canto do próprio Criador. E este som que nós somos, com seu corpo físico – graças à própria Terra. A natureza vestiu o ser humano de um corpo, que é o seu corpo físico, e no entanto, este corpo físico, que muitas vezes é confundido com a pessoa, é só a casa do ser. O ser que somos nós se manifesta pela palavra, pelo som, pela expressão. A importância maior da palavra está no fato de que ela tem um poder, que o mesmo Criador tem, que é o poder de criar. Na filosofia tupi-guarani, cada vogal, cada palavra, quando sai da nossa boca, sai junto com o poder criador porque é uma herança que trouxemos diretamente do céu. A ferramenta criadora da qual somos portadores. Só que esta ferramenta criadora precisa se aprimorar, precisa ser lapidada e uma das ferramentas que ajuda na lapidação é o silêncio. Pela porta do silêncio, você encontra alguns caminhos: a auto-observação, a reflexão, a meditação.

Existe uma frase atribuída a Gandhi, na verdade um conselho, e talvez excelente para meditar, refletir os valores da cultura de paz, que é: “Seja a mudança que você quer ver no mundo!”. Quais seriam, então, as principais atitudes para o desenvolvimento de uma cultura de paz?
Na verdade, é muito bonito falar em cultura de paz e politicamente correta, quando eu reconheço que é uma das coisas mais difíceis de pôr em prática em diversos níveis. Eu mesmo tenho uma dificuldade pessoal de colocar em manifestação esta postura de paz. Eu vejo que para realmente acontecer a cultura de paz ela tem que acontecer pelo menos em três níveis: social, ecológico e pessoal.

O que tenho observado, inclusive, é que este desafio é crescente nos diversos níveis.
Sim. No nível social de certa forma é fácil, porque quando você presta um serviço, um trabalho comunitário, ou alguma atividade social você está impulsionando aquela ação e com certeza isto vai gerar uma cultura de paz. No nível ecológico o esforço é um pouco maior, porque a gente tem uma dimensão da ecologia muito utilitária. Então, a primeira coisa que requer na minha visão de esforço, no nível ecológico é tirar esta visão da natureza como uma coisa utilitária, ou seja, parar de ver a natureza apenas como recursos – e é muito difícil a sociedade ver isto. Passar a ver a natureza como se fosse você, como um espelho mesmo. Aí você faz o terceiro ponto, que é mais difícil ainda, que é a questão pessoal. Formar uma cultura de paz requer ações internas. Muitas vezes as pessoas, e também algumas organizações, falam de cultivar a tolerância, mas eu acho que a tolerância não é suficiente. O que Gandhi diz é de muita profundidade, muita sabedoria, devemos ser a paz que queremos ver no mundo. Começa por aí mesmo e no nível pessoal a gente precisa quebrar algumas visões distorcidas de paz.

Poderia exemplificar uma destas visões distorcidas.
A primeira visão distorcida de paz que precisamos quebrar é que paz é passividade. Não é! Paz requer respirar, entrar em silêncio, auto-observar. Requer determinadas ações internas, nós temos que ter muita vontade, para poder trabalhar isto.

Como cada palavra possui vida, tem um espírito, se estamos conscientes e presentes nela. Passo o bastão da fala para que deixe uma mensagem aos corações-alma de nossos leitores da “Espiritualidade Natural”.
No dia 06 de junho no Instituto Arapoty, nós vamos trabalhar um tema chamado justamente Ecologia Interior, todos estão convidados para participar. Para maiores informações acesse o blog: http://institutoarapoty.blogspot.com ou http://kakawera.blogspot.com.
A mensagem que eu proponho está dentro desta idéia de ecologia interior. Aqueles que estão no caminho da espiritualidade, na busca de um entendimento maior das coisas do espírito, em algum momento na vida, em algum momento desta jornada, vai se colocar diante da própria terra, da própria natureza. Se você observar os Mestres de todas as tradições não-indígenas: São Francisco de Assis, os antigos rishis tiveram profundas conexões quando subiram a montanha e se refugiaram na floresta. A imagem que temos de Buda, quando ele atingiu a iluminação, é dele sentado debaixo de uma árvore na floresta. Então a mensagem que eu deixaria é para você observar a natureza como um livro sagrado para encontrar as respostas mais profundas do nosso ser, da nossa alma, para quem está no caminho da espiritualidade, para quem está na busca. Porque quem não está no caminho da espiritualidade ou para quem está iniciando o caminho a natureza serve como cura. Mas para quem está no caminho, já passou da fase da cura, a natureza acaba sendo uma conexão, como um livro, como aprendizado: prestar atenção nesta Grande Mãe.

Kaká Werá - Somos UM - parte final

EU, VOCÊ E A NATUREZA SOMOS UM SÓ

“Se observarmos do ponto de vista da matéria vamos perceber que somos compostos de minerais, que estão por todo o nosso organismo físico e celular. Vamos observar que temos a nossa herança biológica dos vegetais e também dos animais. Além disso, nosso organismo tem o mesmo percentual de água analogicamente ao que a Mãe Terra possui.
Se observarmos do ponto de vista das tradições místicas mais antigas, somos uma síntese dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar; que influenciam em nossos temperamentos, em nossas características psicológicas, e também físicas.
A natureza está em nós e nós estamos na natureza, e embora a ciência, a tecnologia, o pensamento humano se tornam cada vez mais complexos, tudo que existe provêm da natureza.
É por este motivo que devemos honrá-la, agradecê-la e reverenciá-la. Ela se transforma em teto para nosso conforto, tecnologia para nossas atividades, roupa para nosso corpo, remédio para as nossas desarmonias, alimento para a nossa fome. Além disso, nos demonstra que a vida é doação, serviço, amor, renovação e impermanência.” – Kaká Werá.